A PRÁTICA EM SALA DE AULA: GEOGRAFIA, UMA CIÊNCIA POSSÍVEL.....
RESUMO: Analisar, repensar e (re) construir novas formas de interpretação social, econômica e cultural sobre o movimento diário da sala de aula permite que estejamos inseridos dentro do processo educacional que, cada vez mais, se move, em ritmo acelerado, para um abismo desconhecido. Nossa busca está em fazer com que a educação no Brasil atual trilhe caminhos diferenciados daqueles que percorreu até nossos dias. A falta de acesso, as variadas culturas que se estabelecem, sobretudo, após o advento da mundialização econômica, baseada na Internet e na informática, mostra seu poder, na desatenção, na falta de recursos econômicos das famílias dos educandos e educandas, na maior liberdade de expressão, que tornou-se, em muitos casos libertinagem, o fácil acesso às drogas, a prostituição, à perca de elementos morais (no amplo sentido da palavra), faz refletir-se sobre novas formas de trabalho em sala de aula. A isto, busca-se o auxílio da ciência do Espaço, a Geografia, para que de alguma sorte, possa-se elaborar alternativas de compreensão e reflexão sobre nossas práticas docentes.
PALAVRAS-CHAVES: Educação – Sociedade – Geografia – Sala de Aula.
RESUMÈ : Analyser, pour repenser e (au sujet de) pour construire de nouvelles formes avec de l'interprétation sociale, économique et culturelle sur le mouvement quotidien de la salle de classe admet que laissez-nous soit inséré à l'intérieur de du processus éducatif qui, chaque fois que plus, si des mouvements, dans le rythme accéléré, pour un abîme inconnu. Notre recherche est en faisant avec celle l'éducation des manières différenciées par bandes de roulement courantes du Brésil de cela couvert jusqu'à nos jours. Le manque d'accès, les cultures diverses aux lesquelles si établissez, au-dessus de tous, après l'arrivée du mundialização économique, basée dans l'Internet et l'informatique, les expositions sa puissance, dans l'inattention, le manque de ressources économiques des familles des educandos et les educandas, dans la plus grande liberté d'expression, qui est devenue, dans beaucoup de cas le libertinism, l'accès facile aux drogues, prostitution, perd des éléments moraux (dans la direction suffisante du mot), fait pour refléter si sur de nouvelles formes de travail dans la salle de classe. À ceci, l'aide de la science de l'espace, searchs de géographie, de sorte que de chance, peut être alternative élaborée d'arrangement et de réflexion sur le nôtre les professeurs pratiques.
CLEF – MOTS: Éducation - Société - Géographie - Salle de classe
A Geografia, por tantas vezes esquecidas ou simplesmente abominada, mostra hoje razões de possibilidades variadas dentro das salas de aula.
Como em uma citação de Yves Lacoste: “ A Geografia serve antes de mais nada para fazer a Guerra”, foi utilizada muitas vezes com essa intenção, sobretudo, durante a ditadura militar que aplacou o Brasil por duas décadas. Todavia, a ciência massante do Decorar, reaparece como uma forma de compreensão dos espaços habitados ou não.
Desde sua formação como ciência institucionalizada, ainda no século XIX, com Friederich Ratzel, a Geografia demonstra poder àqueles e àquelas que dela desfrutam, sim, poder, conceito máximo de território tão amplamente analisado por nós, Geógrafos e professores de Geografia.
Pensemos, decoremos, relutemos. A ciência do espaço tem potencial infinito dentro do contexto mundial atual. É ela, aquela que resenha a compreensão e designação dos espaços, dos seres, das pessoas, animais, vegetais, minerais, religiões, endemias, epidemias, medicina, culinária, cultura, enfim, a infinidade de atitudes que se estabeleçam dentro de qualquer espaço e fora dele, pois mesmo fora, há um espaço a ser analisado!
As variáveis da Nova Geografia trazem consigo a possibilidade de interprestação de fatos nunca antes imaginados e / ou negados por ela mesma, ou seja, por aqueles e aquelas que a compreendiam e tentavam doutrina-la em direções diversas, que não fossem àquelas de demonstração de análise e compreensão, pelo menos não para a grande massa.
A docência, inúmeras vezes, faz-nos refletir sobre aquilo que aprendemos e utilizamos. O estar em sala de aula, em lidar, ensinar e aprender com as educandas e educandos, nos trás a possibilidade de refletirmos sobre as teorias dessa ciência, tão amplamente analisadas na academia, mas que para nada servem se não aplicadas às questões solicitadas.
Compreender os espaços naturais, construídos, preservados, conservados são partes fundamentais da intenção máxima dessa ciência. Porém, buscar a compreensão e interpretação das relações que se estabelecem dentro desses perímetros são necessários e, quem sabe, vitais à preservação do olhar geográfico sobre o mundo e, principalmente, sobre nós mesmos e nossas convicções.
As relações culturais estabelecidas entre os variados povos, as imigrações, as emigração, as migrações fazem com que as culturais diversas acabem por estabelecerem em outros pontos que não aqueles aos quais surgiram, muitas vezes buscando formas de sobrevivência aos mesmos, sofrendo adaptações locais motivados quem sabe, pelos aspectos naturais, sociais ou econômicos daqueles que propagam sua própria cultura.
Interligar a Geografia às demais ciências é um fator de expressão cognitiva daquele e daquela que se utiliza dela. Conseguir, em seu íntimo buscar a reflexão, com o intuito pré definido da ação sobre a mesma, no sentido de (co) ligar as ciências variadas é um desafio que educadores e educadoras atuais tem que perpassar e, além disso, conquistar em sua construção de conhecimento, lembrando sempre, que o processo não destinasse somente aos educandos e educandas, mas também a nós.
Demonstrar em sala de aula essa relação é a própria força de ação tão sonhada por muitos teóricos que acreditaram e crêem em uma nova educação para todos e todas, em uma educação que possibilite não somente o já construído, mas que seja construído em um cotidiano, em uma nova perspectiva, em um dia-a-dia.
Entender que a Biologia é tão Geográfica quanto a Medicina, nos remete a conceber as relações expressas entre elas. Compreender as funções dos seres microscópicos agindo na decomposição das folhas e caules das árvores, por exemplo, nos remete a pensar na biomassa que possibilita a manutenção das florestas, que formam os Biomas naturais, sem os quais nossa sobrevivência neste planeta não seria possível, ou ainda, analisar a expansão espacial de uma epidemia, buscando formas de controle, entendendo a dinâmica da natureza no controle das pragas naturais, que também têm sua função, auxiliando a Medicina em seus campos de estudo, são formas de prestar serviços não só às teorias, mas ao planeta.
É, hoje, necessário também, buscarmos formas de representação significativa dessa ciência nas salas de aula. Para tanto, devemos nos conscientizar da importância da mesma para os educandos e educandas, não somente no sentido de transmitirmos conhecimentos básico como localização, orientação, funções de desenvolvimento da vida no planeta, ou ainda, análise e interpretação de mapas. Necessitamos (re) buscar as alternativas possíveis de utilização da Geografia, precisamos elevar nossos pensamentos ao sentido de proporcionar àqueles e àquelas aos quais nos escutam e falam conosco todos os dias, formas de interpretar e compreender os espaços mundiais, as formas como as representações e simbologias criadas têm papel importante na sociedade em que nos inserimos.
Necessitamos saber compreender e refletir a prática docente sob uma forma desfragmentada, buscando em campos diversas explicações para um mesmo fato e fenômeno.
Em vivência podemos abordar o sentido da sacralidade dos lugares, do profano, do impenetrável, das premissas que os grupos, guetos, clãs criam para si, para suas vivências e sobrevivências em um espaço desigual e amoral como o nosso. Precisamos conceber e fazer, através da reflexão, com que educandos e educandas construam um espaço reflexivo em seu conhecimento a respeito da percepção, do conteúdo enigmático pichado nos muros, nas paredes, no que simboliza a esquina, a parada de ônibus, as relações estabelecidas pela conversa no canto da rua, nas horas de lazer, nos passeios que não ocorrem devido a falta de recursos financeiros, no que o pastor disse, na cruz que vi na Igreja, no despacho da encruzilhada.
Devemos levar em consideração a vida de cada educando, as possibilidades de cada educanda dentro de seu próprio mundo, dentro das dificuldades de não ter rede de água e esgotos, de ter o “gato” na luz, na rua que não tem pavimentação.
Utilizar a ciência Geográfica possibilita entender as várias mutilações que nossa juventude sofre, no baile funk, na rua que passa na frente de casa, na loja do shopping em que entrou, mas foi mal atendido por ser negro ou negra ou pobre ou estar mal vestido, buscar formas da diminuição do falso jogo de uma sociedade sem discriminação, sem preconceitos.
Além disso, buscamos na Geografia, a explicação do fenômeno social dos meninos e meninas de rua, as (im) possibilidades que tiveram de não estarem naquele momento freqüentando à escola, de estar ocupando um espaço no sinal, travando com os motoristas um espaço de relações sentimentais (que ocupam espaço em nossas mentes e corações – sendo então, geográficas), de asco até compaixão, passando pelo medo do assalto, ao qual o motorista contraiu como um trauma social, que ocupou lugar no seu bolso, quando instalou um moderno sistema tecnológico de segurança em sua casa (dizendo-se de passagem, sistema esse, construído em um Tigre Asiático, que através da exploração do trabalho de homens, mulheres e crianças, se constituíram em pretensas potências econômicas).
Assim, o espaço também é ocupado pelas mulheres, solteiras, casadas, enroladas, viúvas, tico-tico-no-fubá (para usar termos depreciativos), que carregam consigo o fardo do preconceito, da discriminação patriarcosocial (para falarmos dos homens) instituída pelo mundo afora e, firmada pelas variadas religiões de cunho patriarcal, como a católica ou a islâmica, que durante séculos reduziram e reduzem as mulheres a simples instrumentos de manutenção das satisfações masculinas (analisando todos os parâmetros das satisfações...). O espaço ocupado por elas é maior do que o ocupado pelos homens, tanto no sentido material do espaço, como no psicológico, pois nós ocupamos espaços em seus ventres durante nove meses, sem ao menos, muitas vezes, dizer obrigado. Espaço construído de duras penas, de duras fogueiras, que fazem e demonstram seus reflexos hoje, com uma nova imagem feminina, liberta, audaz, felina, uma Lilith, tão escondida de nossos olhos, que nos assustamos, quando elas ocupam os espaços trivialmente destinados aos “machos”, demonstrando uma nova percepção de sociedade, de rivalidade garantida entre os gêneros. Hoje, a Geografia analisa na parte ocidental do planeta, as pré – e relações – estabelecidas pelas mulheres do futuro, que ocupam seu espaço, que ocupam as salas de aulas, dos Ensinos Fundamental, Médio, Superior, que buscam demonstrar seu poder de resistência, porém, a ciência do espaço também tem a função de analisar o Oriente e a Mulher, criando a Geografia da Mulher, a Geografia da Opressão, por uma vida melhor, por uma Geografia da Dignidade Feminina, dentro de seu espaço, dentro de suas vontades, não enquadrando fatos como vistos em muitos países africanos e islâmicos, onde o espaço ocupado pela mulher é, muitas vezes, terciário e não secundário. O gênero feminino necessita e nós, educadores e educadoras, precisamos demonstrar, de uma nova abordagem. Devemos sim, explicar, falar e mostrar as taxas, os índices, mas também devemos e temos a responsabilidade de fazer as educandas refletirem sobre seu poder, sobre sua força social e sentimental e, devemos além de tudo, demonstrar aos educandos, a necessidade de respeitabilidade mútua, de conscientização de gênero, fazendo-os refletirem sobre o espaço da percepção da mulher.
Em gênero, analisemos ainda, o homossexualismo, não de forma patológica ou menos ainda depreciativa. Negar, em nossas salas de aula, nossas análises sobre o educando que é “diferente” dos demais, ou da educanda que tem “hábitos estranhos”, é negar que não enxergamos as letras que estamos lendo agora. Pensar na diversidade sexual, na orientação ou no gênero é análise geográfica obrigatória nesse momento, seja pela maior liberdade de expressão ou seja pela percepção dos espaços, ou pelas relações de discriminação que existem entre os próprios educandos e educandas. Generalizar o fato como um “isso acontece” ou “em que família não tem”, não faz parte do sentido da Geografia, partindo-se do pré suposto da análise da vivência, do dia-a-dia, das formas variadas de culturas criadas pelos diversos grupos, chamados modernamente de “minorias”, mas que demonstram hoje, uma maioria em muitos locais, ,lugares , territórios, paisagens, centros entre outras categorias dessa ciência. Incentivar a (co) ligação, o não preconceito, a concepção de bem viver, dentro daquilo que entendemos como sociabilidade é objeto de estudo e perspicácia da Geografia, pois sem elas, a própria ciência não teria lógica.
A sala de aula, então, não é somente um lugar de relações de conteúdo, matéria e prova é sim, um espaço geográfico constituído de relações e possíveis novas relações estimuladas, constituídas e construídas pelo grupo que o freqüenta, que o habita, que o desmembra e o (re) constrói. Além dos cadernos e gizes, a posição dos educadores, das educadoras, educandos e educandas deve ser repensada, discutida, analisada: (re) feita.
Buscamos formas de trazer à realidade escolar um novo entendimento, baseado, sobretudo, nesta ciência que nos mostra e possibilita reflexões variadas e distintas sobre um mesmo fenômeno, que nos trás dá possibilidades de ter com nossos educandos e educandas bate-papos, conversas, que (des) cristalize a visão de um lugar conservador, construído a séculos de mesma forma e hábitos., que traga novas visões de mundo, em larga escala (macro) e em pequena escala (micro) – esta escala também pode ser geográfica, viu! - , e também, que possa demonstrar a todos e todas, uma nova abordagem da Geografia, uma ciência de pensamento, de análise, de reflexões, que não se baseia em modelos e moldes pré estruturados, que pode ser destruída e reconstruída simplesmente com um olhar sobre um mapa, ou sobre a notinha do sacolão, que não foi entregue ao freguês. Temos, em Geografia, uma fonte de expectativas possíveis de re (estabelecer) laços desfeitos há muito, de trazermos uma possível análise através de nossa percepção, de nossa vivência, de nossa compaixão, de nossa fé, religiosidade, pretensão, lutas, guerras, vitórias, todas elas enfocadas dentro de nosso dia-a-dia.
PARA CONCLUIR,
A SALA DE AULA E UM OLHAR
Quando em sala de aula, inúmeras vezes, acabamos por desenvolver um mecanicismo natural naquilo que trata dos temas a serem abordados. Por mais inovadores que sejamos, por vezes, acabamos repetido os mesmo disparates outrora cometido, por nossos próprios educadores e educadoras.
Pensar que tudo é difícil ou que se tornou difícil devido à realidade a qual vivemos, ou então julgar que os educandos e educandas “não querem nada com nada” são umas de nossas primeiras fugas para aquilo que é maior e que está em nós inseridos: a mágoa por trabalharmos em severas condições físicas proporcionadas pelo descaso governamental em detrimento da educação brasileira, os baixos salários, os (des) gostos familiares, a pesada batalha para pagar as contas, além é claro, da competição que temos em relação à Televisão e à Internet, que muitas vezes parece-nos injusta, sobretudo, pelo fato de que aqueles e aquelas que TEM acesso à esses meios, mostram conhecimento de áreas que nossas academias não nos proporcionaram, ou o fato de nós mesmos e mesmas ter nos acomodado, nos estabilizado, nos alienado, após o findar de nossos cursos de graduação, faz-nos refletir que estamos desatualizados frente a esses processos. Em contrapartida, para aqueles e aquelas que NÃO TEM acesso à Internet, a realidade se promulga de formas distintas, desde a conversa em demasia em sala de aula, pois comentam a novela que assistem cotidianamente e, que esta quebra todos os parâmetros de respeitabilidade escolar, até aquele educando ou educanda que por mais que os educadores e educadoras expliquem, demonstrar, incentive, não aprende, devido, principalmente, à falta de vitaminas e o déficit alimentar que trás em seu corpo.
Assim, os caminhos que percorremos são reais, atuais, antigos, modernos e futuros. São esperanças, que por horas se perdem, se destituem em nossas mentes e pensamentos.
Busquemos e refaçamos nossas concepções, nossos olhares, nossas atitudes e pedagogias em nossas salas. Devemos e temos a missão de ser psicólogos, médicos, enfermeiros, matemáticos, geógrafos, historiadores, biólogos, químicos, físicos, carpinteiros, garis, carregadores e cortadores de madeira, dentro de uma só profissão: A VIDA.
Através da Geografia, das possibilidades que ela apresenta poderemos buscar alternativas que superem as dificuldades enfrentadas por nós, educadores e educadoras, e quiçá, consigamos visualizar e tentar fazer que nossos educandos e educandas reconheçam e repensem sua prática cotidiana de viver, de lutar e alcançar diferentes parâmetros dentro de nossas sociedade, que se mostra cada vez mais diferente.

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